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CAPÍTULO XXI
Após Khatchô e seus filhos terem
se recolhido, Vartan e Düdükjian permaneceram sozinhos no odá.
_ “Na verdade, o terreno não
está preparado”, ponderou Vartan, encarando o rosto lívido e triste do seu
companheiro.
_ “De quem é a culpa?” respondeu
Düdükjian sentindo seu coração despedaçado pela angústia que ressentia. “O
ancião é homem de coração bom, muito mais sábio que eu, escrevinhador de
meia-tigela. Raciocinou com bastante perspicácia quando disse ser nosso
papel, nós de Constantinopla, ensiná-los com antecedência. O que fizemos?
Nada! Não ligamos para essa predisposição. A Armênia do interior, mergulhada
em sua trágica miséria, não nos interessava. Lembramos somente da gloriosa
Armênia do passado. Não temos noção da Armênia atual e nem estávamos
interessados nisso. Conhecemos pelos livros a antiga e afamada Armênia e
imaginamos ainda existir os Dikran, Aram, Vartan, Vahakn e outros Nercês.
Imaginamos o artesanato e o comércio nas mãos dos Armênios e com isso
enaltecemos o país e o império. Imaginamos suas lindas aldeias, seus campos
semeados e suas colheitas enchendo os silos com a graça de Deus. Pensamos a
maioria dos Armênios vivendo alegres e felizes em sua terra natal. Não
sabíamos todos esses vilarejos terem se esvaziado em população armênia, seja
pela ameaça da miséria, seja pela intolerância religiosa dos muçulmanos. Não
sabíamos que em vez de encontrar Armênios vivos e sadios, encontraríamos
esqueletos ambulantes e cemitérios sem fim. Não sabíamos que a nossa
religião, esteio da nossa Nação ter sido aniquilada e em seu lugar só ruínas
de igrejas e de mosteiros. Não sabíamos ter sido nossa língua, herança
santificada dos nossos antepassados ter sido trocada pela turca e pela
curda. Não sabíamos que aqueles bravos Curdos, hoje representando o flagelo
de Deus, se consideravam há cinqüenta ou cem anos nossos irmãos de sangue
falando nossa língua, rezando nas nossas igrejas. Em resumo, nada sabíamos.
Mesmo hoje, muito pouco sabemos do interior da Armênia e não percebemos
ainda que daquela Armênia só sobraram cacos resultado de graves
acontecimentos e jugo insuportável. Modificou-se de tal maneira perdendo
toda sua essência tornando-se tímida, acanhada, frouxa e até hipócrita”.
Vartan escutava atentamente.
Düdükjian continuou:
_ “O poder realizar grandes
projetos estava em nossas mãos. Tínhamos ao nosso lado nosso Patriarca,
Catolicós¹ de todos os Armênios, preocupando-se principalmente com nossas
almas. Os representantes do povo passando o tempo urdindo intrigas e
discutindo assuntos insignificantes. A nata da nossa juventude, nas datas
dos nossos dias nacionais, cantando às margens do rio Bósforo, canções
patrióticas, não tendo a menor idéia que naquele mesmo instante, a Armênia
vertia sangue e lágrimas. A imprensa não se interessava pelos acontecimentos
no interior da Armênia e se ocupava sobretudo de assuntos estrangeiros.
Escolas não incentivavam professor para lecionar no interior. O teatro em
nenhum momento retratava a miséria da Armênia do interior, mas sim a sujeira
das cozinhas na França. Nossos líderes passando o tempo a bajular os grandes
da Sublime Porta, pensando sempre em seus próprios interesses. Tínhamos
sobretudo o poder financeiro, o ouro na mão dos "Amirás", somente servindo
para embelezar seus palácios, sem dar um centavo sequer aos compatriotas na
miséria. Em suma, o poder de melhorar a sorte do povo estava em nossas mãos,
mas algo pernicioso nos levou a desprezá-lo e a levá-lo à desgraça.”
“Eu”, prosseguiu Düdükjian,
“acho que a nossa intenção, minha e dos meus correligionários, é
simplesmente quixotesca. O que fazer então? Ficar inerte? Ignorar a vida dos
Armênios? Não estudar o que se passa no país? não tomar conhecimento dos
acontecimentos e das reivindicações do povo? Não prepará-lo para um futuro
promissor e de repente aparecer para dar-lhes armas e munições para lutarem
pela sua sobrevivência? Isso não faz sentido! Mesmo assim não estou
desanimado. Minha fé, como a dos meus companheiros, é inquebrantável. Talvez
sejamos aniquilados, mas nossa morte abrirá, para nossos seguidores, o
caminho da redenção”.
Ao ouvir estas últimas palavras,
Vartan não conseguiu conter a emoção apertando-lhe o coração, e num gesto
espontâneo abraçou fortemente seu companheiro e disse:
_ “Fazer algo assim requer muita
coragem. Reverencio com profundo respeito aqueles que vão sacrificar suas
vidas para defender seus ideais.”
Já passava da meia-noite e
nenhum dos dois jovens pensava em dormir. Düdükjian criticava a indiferença
dos jovens Armênios da capital e dissertava a respeito do clero dizendo: "Se
a décima parte das igrejas e dos mosteiros fossem transformados em escolas,
a Armênia poderia ser salva."
Nesse instante, bateram na
porta. Batidas quase inaudíveis. Vartan foi abrir. Eram Hairabed e Abô, os
dois filhos de Khatchô que “Viemos nesta hora bem tarde para ninguém
perceber”, disse Hairabed sentando-se. “Não queremos amolá-los.”
_ “Em absoluto”, respondeu
Vartan. “Não conseguimos pegar no sono e estávamos conversando. Mas parece
que os outros estão dormindo”.
_ “Todos, menos o pai” disse Abô.“Está
tossindo sem parar. E quando tosse assim, é alguma coisa preocupando-o
profundamente”.
De imediato, Vartan e Düdükjian
perceberam. Os dois irmãos não tinham vindo por simples visita de cortesia e
esperavam que revelassem o motivo da visita nesta hora da noite.
_ “Nos não pudemos expor nossas
idéias na presença do pai e nossos irmãos”, começou Hairabed. “Viemos aqui
para lhes dizer estarmos de pleno acordo com seus propósitos, e seremos
sempre solidários e poderão sempre contar conosco para qualquer
eventualidade.”
O rosto transtornado de
Düdükjian iluminou-se com um sorriso; sorriso igual ao daqueles missionários
que conseguem converter dois seres, futuros alicerces de uma congregação.
_ “É absolutamente falso pensar
ser os Armênios daqui moral e fisicamente impotentes. Infelizmente, nós
Armênios, temos um grande defeito. Todo Armênio é precavido, cauteloso,
inseguro, sem vontade própria. Sempre espera alguém lhe mostrar o caminho a
seguir. Este, mormente se o levar ao sucesso, o impressionará muito. Porém,
imporá sempre certas condições consideradas imprescindíveis. Na verdade, ele
não se interessa por nada fora de seu microcosmo. Quero dizer nunca seguirá
preceitos de estrangeiros, mas sim de seus compatriotas. Assim sendo
queremos ser os primeiros a lhes mostrar este caminho, e podem ter certeza,
muitos nos seguirão. Conheço bem meu povo. Sofreu tanto que se neste
instante pudesse envenenar um Turco ou um Curdo, não hesitaria. Sente
tamanho ódio e seria capaz de tudo, mas esse ódio está escondido lá no fundo
de seu coração”.
Vartan e Düdükjian estavam se
deleitando com as palavras de Hairabed pois refletiam a voz do povo.
_ “Afortunado o povo que sabe
odiar”, exclamou o jovem citadino. “Aquele que não sabe odiar, nunca saberá
amar”.
_ “Meu pai disse o terreno não
estar preparado”, disse Hairabed. “Meu pai é sábio. Seus conceitos giram
sempre em volta da palavra bondade. Mas seus sábios conselhos, sua cautela,
tomam ares de culpabilidade. Nos sentimos paralisados e petrificados com
suas palavras de resignação e paciência. Na minha opinião, a audácia, a
temeridade e até a sandice dão mais resultado que todos os sábios conselhos
do mundo”.
_ “É verdade”, disse Vartan
soltando uma gargalhada, “conheço um dito popular que diz: “Até o sábio
pensar, o louco já atravessou o rio”.
_ “Com certeza”, ponderou
Düdükjian. “Ás vezes essas pessoas são traídos pela própria inteligência.E
somente chegam a perceber isso quando compreendem que os tolos lhes passaram
a perna. Houve época que nossa “Inteligentsia” julgava preferível, para nós
Armênios, sermos dirigidos por Governo corrupto e corrompido, como o atual,
do que por um honesto e civilizado. Achavam que governo civilizado com
cultura avançada poderia absorver e aniquilar os Armênios, enquanto sob
governo corrompido, os Armênios, muito mais cultos e inteligentes poderiam
se sobressair e quiçá dominar o país.Teoricamente tinham razão. Mesmo a
melhor das teorias na prática é diferente. A História nos apresenta vários
exemplos. Se um país civilizado conseguiu absorver outro, em contrapartida
há países bárbaros e selvagens que tragaram muitos paises pequenos. O que
muda é a maneira de execução. Estes, usarão a força bruta, massacrarão e
exterminarão tudo pela frente; aqueles, vão se impor pela cultura. Ninguém,
até hoje, explicou aos Armênios qual a política do Governo a nosso
respeito. Vou tentar me expressar com mais clareza. Sempre nos disseram ser
nosso destino ligado ao da Turquia. Assistimos passivamente às barbáries, às
arbitrariedades, às falcatruas cometidas pelos governantes e comentamos
esses fatos com superficialidade, sem atinar à trama diabólica urdida pelos
Turcos. Não enxergávamos além da ponta do nosso nariz. Vimos coações,
matanças, conversões forçadas e outras iniqüidades cometidas desde há muito
tempo pelos nossos bárbaros vizinhos. Fazia parte de nosso cotidiano e
pensávamos ser obra do acaso. Estávamos longe de saber que tudo fazia parte
de plano maquiavélico, bem delineado e acontecendo com o beneplácito do
Governo. Culpávamos o Governo por ser frouxo, por seu desinteresse ou talvez
por não saber como coibir esses delitos, e não percebiamos que eram
funcionários do alto escalão do Governo atiçavando os bárbaros contra nós,
visando eliminar todas nossas comunidades. E qual a razão de tudo isso? É
simples: se um dia o Império otomano vier a perder suas possessões da Europa
e da Ásia, ele poderá culpar a comunidade cristã. Eles acham que a cada
crise que o Império atravessa, as comunidades cristãs recorrerão às
potências ocidentais, também cristãs, agravando ainda mais a "Questão do
Oriente".Para não perder suas possessões e evitar a intromissão das
potências européias o melhor meio, pensam eles, é exterminar os cristãos.
Com efeito, por causa dos cristãos, o Império já perdeu muito de suas
possessões na Europa e vai perder ainda mais. Nos países asiáticos conservou
somente a Ásia Menor. Portanto é preciso quebrar o elo existente entre
Armênios e Potências Ocidentais; e para tranqüilizar estes últimos basta
demonstrar-lhes não existir mais Armênios na Armênia. Logo, para cumprir
essa missão nada melhor que Curdos e Tcherkés, assassinos em potencial. Se
analisarmos os acontecimentos desses 20, 30 ou 50 anos, estaremos
convencidos de eu ter razão. Todas essas coações, perseguições, extorsões,
enfim, todas as selvagerias não são obras do acaso. Estaremos convencidos
que atrás de tudo isso há um plano premeditado cuja finalidade é debilitar
as comunidades armênias, exauri-las e por fim aniquilá-las. Lembro-me de uma
passagem em que, para tirar qualquer possibilidade de sobrevivência,
recolheram todas as armas em poder dos Armênios e entregaram essas mesmas
armas aos inimigos dos Armênios. Porém, perceberam isso não ser o bastante.
Essa raça laboriosa e versada em finanças poderia fazer frente ao inimigo
com o poder do dinheiro. Então, chegaram à conclusão que deveriam fazer de
tudo para empobrecê-la. Aumentaram absurdamente os impostos, trocaram o
dinheiro circulante de um dia para outro sem aviso prévio, em suma lançaram
mão de mil e um estratagemas ignóbeis, esperando que o povo sem dinheiro,
não pudesse pagar os impostos devidos. Assim obrigavam os devedores a
pagarem com suas terras, seu único ganha-pão. Mesmo assim não conseguiram
alcançar seus objetivos. O Armênio é obstinado. Não conseguindo ganhar o
sustento em sua terra natal, foi para o exterior. Trabalhava duramente e
voltava com dinheiro. Então o governo turco resolveu acabar de vez com
qualquer resistência. Baixou um decreto determinando que nenhum Armênio
poderia ser proprietário de terras. Todas as suas propriedades passaram às
mãos de oficiais, prefeitos, governadores e ministros turcos. O Armênio,
empreendedor e trabalhador, tornou-se então, empregado dessa corja, sendo
tratado como escravo. Os Armênios pediram justiça aos governantes que
fizeram ouvidos de mercador. Todos aqueles que entraram na justiça ,
sistematicamente perderam a causa. A intenção do governo turco estava clara.
Queria todos os Armênios, reduzidos à pobreza, deixando o país de seus
ancestrais, se Terei conseguido desvendar para vocês o plano diabólico
tramado pelos Turcos? Muitas vezes, funcionários do governo foram mandados
para provocar mais penúria de tal maneira que os Armênios, não trucidados
pelos Curdos ou pelos Tcherkeses, morressem de fome. Isto é o retrato de
crime monstruoso, o qual somente o Turco é capaz de conceber. Esgotar pela
pobreza, tirar tudo o que tem, impedir de viver decentemente, são as armas
usadas pelos Turcos para aniquilar a comunidade Armênia, pois sabem não
haver outro meio de acabar com um povo cuja força está no trabalho e nos
seus bens. Os Armênios de Zeitun não possuem terras cultiváveis; sua maior
fonte de renda consiste numa mina de ferro explorado por eles. Levam para as
cidades vizinhas o minério em estado bruto ou fabricam diversos objetos para
vendê-los e comprar o necessário para o sustento de suas casas. O Governos
Turco tentou, em algumas ocasiões, apoderar-se dessa mina; mas encontrou uma
resistência feroz de parte desse valoroso povo montanhês e teve de desistir
do seu intento. Um outro exemplo da trama diabólica é o incêndio da cidade
de Van. A comunidade Armênia dessa cidade era bastante abastada. Numa noite
todas as lojas dos Armênios se incendiaram. O Governo não tomou conhecimento
dos inúmeros protestos dos habitantes, e nem ensaiou um simulacro de
inquérito pois não queria incriminar a si próprio. Até hoje não conseguimos
entender por que o Governo bajula tanto os chefes curdos e os Tcherkés,
apesar de eles causarem muitos transtornos como por exemplo deixando de
pagar impostos devidos ou saqueando este ou aquele vilarejo. Então vamos
raciocinar. Se o poder central realmente se empenhasse, não conseguiria
coibir todos esses abusos? Mas nós, sabemos o porquê."
Parecia Düdükjian querer
extravasar todas as suas mágoas numa noite só. A situação aflitiva do povo,
suas misérias, a falta total de perspectiva o entristeciam e o revoltavam ao
mesmo tempo.
"A vida impõe certas condições
que devem ser cumpridas. As pessoas devem tratar seus semelhantes da mesma
maneira como são tratadas. É o “olho por olho” ou o “amor com amor se paga”.
Não existe outra solução. Dentre todos os seres existentes na face da terra,
o Homem é o mais cruel e feroz dos animais. A fera mata de vez. O Homem, ao
contrário, atormenta, tortura física e moralmente até o pobre coitado pouco
a pouco definhar e morrer. É crime hediondo. Somente o Homem é capaz disso.
E esse crime não é perpetrado somente contra um ser humano, mas também
contra um povo inteiro. É justamente esse tipo de crime que nos ameaça. Não
será por esse motivo que Turcos, Curdos e Tcherkés se comportam dessa
maneira para conosco? Não é por isso que Armênios pouco a pouco desaparecem
de sua própria terra natal? “.
Vartan escutava com profunda
atenção as explicações de Düdükjian e de vez em quando aprovava. Tomou a
palavra com um sorriso amargo e irônico:
“O povo armênio é um povo
extraordinário. Acabar com ele, não vou dizer impossível, mas é muito
difícil. Lembra muito aquele animal mitológico, a Hidra, que possuindo
várias cabeças, quando tinha uma delas cortadas renascia ainda mais robusta.
Durante séculos, o Armênio de tanto apanhar conseguiu adquirir resistência
de ferro. Maltratá-lo é muito fácil, mas ele é muito obstinado. O Armênio
suportou até a invasão dos Mongóis de Gêngis Khan, os mais sangrentos
bárbaros de todos os tempos. Estes Turcos, descendentes de Mongóis, parecem
nanicos comparados àqueles. Inúmeras hordas de bárbaros invadiram o nosso
país. Mataram, trucidaram, degolaram, assassinaram, passaram como furacão e
desapareceram. E nós, permanecemos firmes. Hoje esta Turquia mongólica, faz
de tudo para aniquilar seus súditos armênios, povo trabalhador, inteligente
e próspero, sem se dar conta que está matando a si própria. O fato de o
governo se empenhar em empobrecer os Armênios ao máximo, resultará em
suicídio. Os antigos sultões eram muito mais sábios. Reconheciam que os
Armênios contribuíam muito na estabilidade do Império. Preocupavam-se com o
bem-estar dos camponeses. Confiavam o Tesouro a financistas armênios e não
por poucas vezes, bancos armênios os socorreram em período de crise”.
A escuridão lentamente se
esvaecia. A alvorada despontava e nossos quatro pensadores ainda
conversavam. Finalmente, traçaram um plano, os preparativos iniciais e o
modo de executá-los. Quando tudo foi dito, Düdükjian tirou do bolso três
cartões e os deu a cada um de seus companheiros, dizendo:
_ “Agora posso ter absoluta
confiança em vocês. Eis meu cartão. Vocês saberão quem sou e meu verdadeiro
nome”.
No cartão estava escrito: L.Salman
.
Torôs
Tchelebi , pai de Levon Salman, era um Armênio católico convertido ao
islamismo. Quais os motivos dessa conversão? Isso é uma longa história.
Sabe-se do envolvimento com moça turca, e para não sofrer terrível castigo,
talvez pena de morte, fora obrigado a casar-se e converter-se. Ao dar a luz
ao pequeno Levon, a bela Fátima, mãe dele, faleceu e o menino ficou sob os
cuidados do pai. Este, preocupado, não queria seu filho crescendo sob os
moldes dos costumes turcos e religião muçulmana, tão odiados por ele.
Então, Salman ( nome impigido pelos muçulmanos ao Torôs Tchelebi), deixou
sua cidade natal e rumou para Constantinopla. Ali, ninguém o conhecia.
Confiou seu filho a um congregação religiosa e sumiu. O pequeno Levon
cresceu num mosteiro católico e aos doze anos foi mandado para a Itália. Na
ilha de São Lázaro, perto de Veneza, recebeu sua primeira educação, sob a
tutela dos Irmãos Mekhitaristas. Mais tarde seguiu para Viena e se hospedou
na mesma congregação. Por fim, apaixonou-se por uma mulher, rica por sinal,
e largou tudo indo morar com ela em Paris. Lá, começou vida de boemia,
bebedeira, farra, enfim uma vida absolutamente ociosa. Militava num partido
e logo em seguida trocava-o por outro. Fez parte de várias agremiações onde
ia somente para discursar, nunca para trabalhar. Porém um dia o dinheiro da
amada acabou. Foi obrigado a trabalhar e começou a escrever vários artigos
sobre os acontecimentos no Oriente para determinados jornais a fim de
sobreviver. Mas quando a “Questão do Oriente” surgiu novamente com mais
intensidade, largou Paris, a amante, e rumou para Constantinopla.
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