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Primeiro Capítulo
Sanazar e Baltazar
O povo da Armênia vivia feliz
sob o reinado de GAGUIG, rei cristão, amado e venerado.
Gaguig era rico, porém mais que
tudo, considerava como seu tesouro mais inestimável sua filha única, a bela
e doce Dzovinar. Sua beleza era tão pura e radiante que poderia ser
comparada aos astros e ao sol. Resplandecia como lua cheia aparecendo atrás
das sete colinas.
Naquele tempo, Bagdad era
dominado por um califa pagão, sedento de conquistas. Atacava os paises
vizinhos e os subjugava. Um dia, decidiu também conquistar a Armênia.
Recrutou imenso exército e invadiu o país. Matava, massacrava, destruía tudo
que encontrava no seu caminho e a seguir sitiou a fortaleza do rei Gaguig.

Este, defendia-se com coragem
mas sabia que cedo ou tarde seria derrotado. O exército do inimigo era dez
vezes, vinte vezes mais numeroso e conseguiria de qualquer jeito apoderar-se
do forte. Porém, apesar de estar convencido dessa eventualidade, resistia
bravamente e repelia os ataques.
Certa noite, durante curta
trégua nas hostilidades, Dzovinar aventurou-se além das muralhas do forte
para respirar um pouco de ar fresco. Era noite de lua cheia. Tão logo a
princesa apareceu, sua beleza ofuscou a da lua.
Neste mesmo instante, o califa
de Bagdad, Senacherib, ia e vinha em frente de sua tenda. Num certo momento
levantou os olhos e divisou Dzovinar junto as muralhas. Foi amor à primeira
vista. A partir daquele momento nada mais importava para ele.
Logo na manhã do dia seguinte,
enviou emissários para o rei Gaguig, prometendo retirar seu exército do solo
armênio se ele consentisse em dar a mão de sua filha em casamento.
Gaguig mergulhou em uma situação
tormentosa e indescritível. Como ele, rei cristão, poderia dar sua única
filha a um pagão, o qual ainda mais a levaria para um país longínquo? No
outro lado da balança havia a paz e o bem estar de seu povo. Ele amava seu
povo, adorava sua filha. Qual dos dois sacrificar? Dilema cruel! Escolha
impossível!
_Deus Todo-Poderoso!
Ajude-me!Dê-me uma luz!
Dzovinar tomou a decisão no
lugar do pai. Assim que soube do pedido do Sheik procurou o pai e disse:
_Estão dizendo que a sorte do
nosso povo depende de mim. O destino quis que assim fosse. Meu dever me
impele a desposar o Califa. Sei que minha felicidade está em jogo. Mas a
vida da nossa gente e a paz em nosso país importa mais que meus sentimentos.
Acate o pedido do Califa.
Era a própria voz da razão e da
sabedoria. Gaguig, muito triste e a contragosto foi obrigado a ceder.
Porém, Dzovinar, antes de
cumprir a promessa do pai, fixou por seu turno, suas condições. Primeiro, a
autorização para ir em romaria à igreja erigida no Monte Azul. Segundo, a
promessa formal que após a cerimônia, o Califa dela não se aproximaria
durante quarenta dias; e por fim o direito de praticar sua religião cristã
acompanhada por um padre que faria parte de sua corte.
Sunacherib aceitou tudo sem
pestanejar.
_Então, Dzovinar, acompanhada de
suas damas de honra, cumpriu a romaria até a igreja do Monte Azul.
Prosternada diante do altar, passou o dia em oração e meditação. Ao pôr do
sol, tomou o caminho de volta. No meio do caminho deteve-se diante de um
manancial cuja água era cristalina e bebeu duas vezes no côncavo da mão.
Estupefata, viu a fonte secar.
Após a cerimônia do casamento
onde a única pessoa feliz era o Califa, Dzovinar despediu-se de seu pai, de
seus súditos e partiu para Bagdad junto com seu esposo.
Este último sentia dificuldades
em manter a sua promessa. Mas a palavra dada é sagrada. Ficou longe dela
durante quarenta dias.
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