GENOCÍDIO...
Milhares e milhares de documentos foram reunidos sobre esse tema:
livros, depoimentos, arquivos, escritos e relatos por pessoas que assistiram a
esse ato hediondo. Testemunhos de cônsules (principalmente dos Estados Unidos),
de religiosos (alemães, franceses, etc.) e de várias outras pessoas fidedignas.
O que
eu, pobre mortal poderei acrescentar a tudo isso?
Ultimamente, vozes estão se levantando querendo provar, de todas as maneiras,
que o ato hediondo perpetrado pelos Turcos não foi um Genocídio. Mas
sinceramente o que importam as palavras... massacre, chacina, genocídio ou
holocausto? A realidade é uma só: 1.500.000 (um milhão e meio) de Armênios foram
friamente assassinados por ordem de Talaat Paxá, Ministro do Interior da Turquia
em 1915.
A
Turquia nega até hoje essa realidade incontornável.
Mas
então o que estou fazendo aqui? Deveria ter nascido na terra dos meus
ancestrais. Por quê meus pais fugiram de suas casas? Como eles, centenas de
milhares de armênios fugiram para não serem mortos.
Às vezes me perguntam:
"Isso aconteceu há tanto tempo. Você nunca vai perdoar?”. Realmente é muito
difícil perdoar o assassinato da minha avó paterna, dos meus dois avôs e de meus
três tios. Mas como perdoar alguém que não pede perdão?
Hoje em dia, a
Turquia, além de negar impudentemente os trágicos acontecimentos de 1915, quer
desaforadamente mudar o curso da História.
Eis aqui um artigo do
"The Independent" redigido por Robert Fisk e traduzido para o português por
Clara Allain. Este artigo apareceu na "Folha de São Paulo", há algum tempo.
PAÍS FAZ LOBBY
PARA "APAGAR" GENOCÍDIO ARMÊNIO.
Os
esforços feitos pela Turquia para apagar a memória do genocídio dos Armênios
sofreram um revés nos EUA. A Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA)
recusou-se a permitir que Ancara financie uma cadeira de "estudos otomanos"
porque o governo turco condicionara doação de US$ 1 milhão à exigência de que os
acadêmicos ignorem o massacre ocorrido em 1915.
O
banho de sangue ocorreu em 1915, quando centenas de milhares de homens armênios
foram massacrados pelas forças turcas, enquanto suas mulheres e seus filhos
foram despachados em número igual para o deserto sírio para morrerem nas mãos de
estupradores ou da polícia turca. É um fato histórico aceito como tal em todos
os países, menos a Turquia.
No
deserto da região que é hoje o norte da Síria os turcos até inventaram a
primeira câmara de gás do mundo: uma caverna subterrânea na qual encerraram
milhares de prisioneiros e para a qual policiais turcos canalizaram fumaça, para
completar o genocídio.
A
reação da UCLA deve ter sido um choque para os Turcos. Afinal eles fizeram
doações às universidades de Princeton, Georgetown, Indiana e Chicago, com
exigências quase idênticas: que os acadêmicos que ocupam a cadeira devem usar
arquivos turcos e manter “relações estreitas e cordiais com círculos acadêmicos
na Turquia”.
Qualquer estudioso que admita o Holocausto armênio não poderá ter relação
cordial com acadêmicos turcos, muito menos obter acesso a arquivos otomanos.
Assim, quando a UCLA recusou a oferta de Ancara, criou um precedente.
O
embaixador turco nos EUA, Nuzhet Kandemir, já havia pago um quarto do valor
total de US$ 1 milhão para uma cadeira no departamento de história da UCLA.
Mas acadêmicos armênios imediatamente apontaram que o acesso aos arquivos
otomanos é rigidamente controlado pela Turquia, além de ser negado a qualquer
pessoa que critique o tratamento dado pelos Turcos aos Armênios ou às violações
dos direitos humanos hoje cometidas no país.
A
seguir, o embaixador Kandemir foi identificado como tendo sido o diplomata que
enviou cartas a organizações judaicas, afirmando que o Holocausto armênio,
diferentemente do extermínio dos Judeus por Hitler, foi falso.
Consta que Hitler, antes de dar início ao genocídio dos Judeus da Europa, teria
perguntado:”Quem ainda se lembra dos Armênios?”
Até 1920, estimados 1,5 milhão de Armênios haviam morrido. Os Turcos afirmam que
foram vítimas de uma guerra civil.
Quando a UCLA primeiro aceitou a oferta turca (lamentavelmente, as discussões
iniciais foram mantidas a portas fechadas), o campus foi invadido por uma
enxurrada de abaixo-assinados.
Um
deles, assinado por 57 acadêmicos e escritores, condena a proposta porque “o
governo turco proíbe a liberdade intelectual, exclui investigações sobre o país
e sua história, encarcera seus intelectuais e possui um dos piores históricos de
violações de direitos humanos do mundo atual”.
Um
abaixo-assinado criticando a criação da cadeira foi assinado pelos escritores
Norman Mailer, Kurt Vonnegut, Artur Miller e Susan Sontag. O corpo docente
rejeitou a doação turca por uma margem estreita de votos: 18 a 17.